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EDITORIAL


José Cláudio Henriques
Sócio fundador da ASMAT
Membro do IHG de
São João del-rei

O QUE A COOPERAÇÃO E GESTÃO CULTURAL PODEM BENEFICIAR A REGIÃO DAS VERTENTES?

Durante o ano de 2008 realizou-se na região das vertentes um curso promovido e incentivado pela secretaria estadual da cultura e realizado pela Duo Educação à Distância de Belo Horizonte.

Realmente o grupo das vertentes foi constituído por pessoas que realmente podem contribuir para a cooperação mútua com relação aos eventos culturais da nossa região.

Como exercício prático do curso, fizemos um seminário denominado “Da Cultura à Transformação Social”, cujo objetivo foi estimular debates nos municípios polarizados por São João del-Rei, bem como apresentar experiências bem sucedidas de ações socioculturais.

Assim, tivemos a abertura na noite do dia 10 de outubro, pelo prof. Benedito Anselmo Martins de Oliveira, pró-reitor de administração da UFSJ.

No dia 11 de outubro tivemos três painéis intitulados;

  1. Iniciativas Socioculturais: Vertentes Transformadora;
  2. Formação Cultural para a Cidadania;
  3. Práticas Culturais e Desenvolvimento Socioeconômicos.

Os painéis 2 e 3 foram de suma importância para o seminário, pois falaram de projetos bem sucedidos fora da nossa região, porém, o painel mais proveitoso, como não poderia deixar de ser, foi Iniciativas Socioculturais: Vertentes Transformadora, pois tratou de ações bem sucedidas na nossa região, onde falou Juliano Pereira da Cia. Manicômicos, que expôs o projeto Arte Por Toda Parte (teatro), cujo objetivo é trabalhar com jovens da periferia e distritos de São João del-Rei. É um grupo maravilhoso que poderia ser mais bem incentivado por parte da administração pública municipal, porque, afinal, não é qualquer cidade do interior que pode contar com um grupo teatral disposto a ensinar arte e cultura de uma forma quase que de graça. Parabéns aos Manicômicos e acho que vocês poderiam participar mais em festas populares de rua.

Falou em seguida Claudia Valle, do Projeto Andanças e Bairro Encena de Barbacena, que também faz um maravilhoso trabalho de arte e cultura na periferia de Barbacena e distritos.

Posteriormente falou o casal Rosangela Roussenq e Florentino Roussenq da Cia. de Artes Meninas Gerais de Alfredo de Vasconcelos, que desenvolve um importante trabalho com comunidades pobres, desenvolvendo aulas em teares manuais e bordados.

Finalmente falou Vicentina Neves do Grupo Raízes da Terra, do bairro São Geraldo, em São João del-Rei. Vicentina e seu grupo desenvolvem um excelente trabalho de cantigas, coreografias e danças Afro. É mais um grupo que deveria ser olhado com mais importância pela administração pública municipal, inclusive com apoio financeiro para realizar seus trabalhos. O grupo Raízes da Terra sem apoio financeiro tende não evoluir ou até mesmo acabar. Como se vê, a região carece de leis de incentivo fiscal por parte das prefeituras.

Ainda como prosseguimento ao mencionado curso, tivemos de 04 a 07 de novembro em Belo Horizonte o 1º Seminário Internacional de Gestão Cultural. Marcaram presença representantes da Espanha, Colômbia, México, Argentina e de quase todos os estados brasileiros.

De modo geral todos os palestrantes falaram em políticas culturais, assunto de responsabilidade dos administradores municipais, estaduais e do país, trabalhando com curto, médio e longo prazos, inclusive injetando dinheiro e material de divulgação. Cada parte desse todo deve ter gestores para montarem projetos, cronograma físico e financeiro para cada evento e ter fome de captação de recursos financeiros. Foi assim que a pequena cidade de Guaramiranga no Ceará, com cerca de 5 mil habitantes, cresceu de 308 leitos e dois restaurantes no ano de 2000, para 1.158 leitos e 14 restaurantes no ano de 2008. Lá 70% da programação cultural são gratuitas.

Cinemas e bibliotecas foram falados no seminário, como meio de cultura popular. Em Bogotá criaram oito novas bibliotecas espalhadas pela cidade e incentivaram a leitura. No Ceará, numa escola todos queriam ter acesso ao computador. Criaram um programa que o aluno somente poderia utilizar computadores se tivessem créditos de leitura na biblioteca da escola. Para cada hora de leitura o aluno tinha uma hora de acesso ao computador. O cinema colombiano progrediu de 2 a 3 filmes anuais para 20 a 22 filmes. Por que as prefeituras locais não dão incentivo para os proprietários de cinemas levarem mais gente para suas salas? Principalmente crianças e adolescentes.

José Cláudio Henriques - Coordenador Editorial


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JORNAL DA ASMAT - ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DO GRANDE MATOSINHOS ANO IX - NÚMERO 105 - NOVEMBRO/2008 - SÃO JOÃO DEL-REI - M. G.