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JORNAL DA ASMAT - ASSOCIAÇÃO DOS MORADORES E AMIGOS DO GRANDE MATOSINHOS ANO IX - NÚMERO 89 - AGOSTO/2007 - SÃO JOÃO DEL-REI - M. G.

 

CARTAS DE UM OUTRO MATOSINHOS
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Isabel Lago
Diretamente de Portugal

Em dia de festa do Bom Jesus de Matosinhos, aqui em Portugal,  envio o meu abraço para São João d’El Rei, onde se celebra o Divino Espírito Santo

JACU – Terra Nova / Baía

 

1

O Município de Terra Nova integra a  região económica de Paraguaçu. Seu território fez parte do de S. Francisco do Conde até 1727, quando  foi criado o de S. Amaro ao qual passou a pertencer. Emancipou-se em 20 de Outubro de 1961. Com uma área de 152Km², dele fazem parte os distritos de Jacú e Rio Fundo. A cidade está a 72m acima do nível do mar. Segundo o censo de 1970, o município possuía 11.192 habitantes e a cidade de 5.510. Esta região mantém as lavouras tradicionais de cana-de-açúcar e de mandioca.

2

Na época em que teve início em 1718, as suas terras obtiveram destaque como Freguesia de São Pedro de Traripe e Rio Fundo, criada pelo alvará de 11 de abril daquele ano.
Antigo arraial do mesmo nome, cujas terras pertenciam, em 1888 à Freguesia da Vila do Rio Fundo, foi edificada nas Fazendas Pojuca e Terra Nova, situada às margens esquerda e direita do Rio Pojuca. Nesta mesma época, o Barão de Bom Jardim, homem influente na política, conseguiu com o presidente da Província da Bahia, Manoel Vitorino Pereira e um grupo financeiro que os mesmos se interessassem pela instalação de uma Usina de Açúcar na Zona do Recôncavo.
Depois de realizados os estudos necessários, iniciou-se em 1889 a construção da Usina em terras doadas pelo próprio Barão e esta Usina concluída em 12 anos, em 1902, no governo de Dr. Severino Vieira dos Santos .
    .

Capela do Senhor Bom Jesus de Bouças – posterior a 1890

O distrito de Jacu originou-se a partir de uma fazenda hoje conhecida como Fazenda Camboatá. Parte da antiga fazenda ainda existe, mantendo algumas estruturas originais, e nela foi fundada uma escola que recebeu o nome de Bom Jesus de Bouças. À medida que foram construídas residências, com o estabelecimento de algum comércio e com a emancipação de Terra Nova, Jacu tornou-se um dos distritos deste município.
Segundo informações de habitantes locais desconhece-se a data exacta da fundação da capela.  Sabe-se. Porém. que foi construída com uma mistura de mel, cinza e adobe.  Nesse período predominava a economia açucareira. Com a cana-de-açúcar era feito o melaço, muito utilizado na alimentação e, também, na construção.
O seu fundador poderá ter sido um português que possuía uma fazenda naquela localidade e nela resolveu fazer uma capela em honra do Bom Jesus de Bouças num local em que a pudesse ver a partir de sua casa. Por isso, construiu-a a cerca de 2 Km num alto em frente da fazenda. Actualmente pertence à Prefeitura de Terra Nova e está sob a jurisdição da Paróquia de S. Pedro daquela cidade .

3

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O templo está localizado sobre uma colina tendo no seu sopé a vila de Jacu que é constituída por duas fileiras de casas térreas que formam uma única rua. Serve de moldura ao povoado extensos canaviais. No fundo da igreja, existe um pequeno cemitério. Edifício de relevante interesse arquitetônico. Apresenta planta com três naves recoberta por telhado de três águas. A fachada principal dividida em três partes por pilastras, apresenta porta de acesso ladeada por duas janelas e quatro vãos ao nível do coro. Suas torres não chegaram a ser concluídas. Arremata a fachada principal uma platibanda com pináculos.
Seu interior tem tratamento neo-gótico com altares em estuque. Existe forro em gamela na nave central e em abóbada de berço abatida na capela-mor. Nos demais ambientes os forros são planos. Em muitos casos, só resta a estrutura dos mesmos. As escadas do púlpito e do coro são de concreto. Já não existem imagens , mas conserva-se um sino com data de 1876, provavelmente, trazido de outra igreja. A lápide mais antiga encontrada é a do Dr. Francisco Joaquim Vieira (1899). Segundo os moradores locais a primitiva invocação da igreja era N. Sra. da Conceição.    

              
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Igreja do período de transição do século XIX para o XX. Embora inspirada no neo-gótico e revivendo o partido em três naves abandonado depois da Contra Reforma, esta igreja deriva sua planta daquelas das matrizes e igrejas de irmandade do início do século XVIII, com corredores laterais superpostos por tribunas e sacristia transversal. Neste, como em outros casos, os corredores foram transformados em naves laterais e as tribunas em trifórios. Manteve-se, porém, o arco cruzeiro e a sacristia transversal. Devido à falta de domínio da técnica da ogiva e pequena altura do edifício, preferiu-se adotar os tradicionais arco plenos. A persistência de elementos coloniais em edifícios religiosos neo-gótico pode ser observada também na Igreja da Ordem Terceira da Santíssima Trindade de Salvador. Nesse caso mais compreensível, por se tratar de uma reconstrução de edifício do século XVIII.

6

Não existem dados sobre a construção da Igreja. Por sua tipologia e pela data da sepultura mais antiga (1899) trata-se de capela do final do século passado cujas obras se estenderam até o início do atual. Segundo a tradição local, teria sido edificada pelo Conselheiro João Ferreira de Moura .

Uma pequena placa de mámore na fachada assinala, provavelmente, o fim das obras e inauguração formal da igreja em 1925.

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A festa anual deste padroeiro é celebrada em 6 de Janeiro. Segundo a já citada Secretária da Educação de Terra Nova, D.Maria do Carmo Ribeiro

A estrutura original da Igreja está preservada mas em situação de descaso, com mofo, umidade, paredes sujas, mato ao redor, entre outros aspectos. A imagem de Bom Jesus de Bouças é de madeira. Para a proteger dos ataques do cupim está recolhida na igreja da paróquia local, S. Pedro de Jacu. Contudo é reposta no altar em ocasiões de festa.

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 Com um abraço aqui vos deixo até Junho

                     Isabel Lago

Informações extraídas do sítio da Prefeitura Municipal de Terra Nova.

Segundo informações amavelmente enviadas pela Secretária da Educação de Terra Nova, Maria do Carmo Ribeiro e sua filha Cristina.

Este texto foi escrito em 1978 e depois dessa data verificaram-se algumas alterações e obras de recuperação.

Texto compilado pela equipa PPH/CFT in Inventário de proteção do acervo cultural da Bahia, Vol. II-Monumentos e sítios do Recôncavo, I parte, Salvador, Junho de 1978, pub. em www.sct.ba.gov.br.

 
 

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