O QUE ESTAMOS FORMANDO ?


Vigaristas? Charlatães? Desajustados? Robôs? Picaretas? Marionetes? A verdade é que, repetindo o lugar-comum, não se faz mais formaturas como antigamente. O grotesco e o ridículo fazem a dupla que arrebata os formandos e seus amigos. 6 anos na Faculdade não fazem por merecer o brilho, a gala e o glamour. Senso estético? Nem pensar. Triste constatação; mas foi o que se viu, recentemente, em formatura de médicos de uma grande e promissora Universidade Federal. Isso mesmo. Formatura de médicos. Ou de charlatães? Ou de inimigos da sociedade Mas se aplica, também, para as demais profissões.
Sem nenhum falso puritanismo, nem carolice e, menos ainda, saudosismo piegas, a multidão de parentes esperava uma pompa e um momento ímpar na vida daqueles jovens que estavam recebendo o diploma. Foram anos e anos em que os pais, avôs e bisavôs deram muito de si na torcida legítima para o jovem, que adentrou, inocente e imberbe, nos caminhos difíceis e sóbrios de uma faculdade de medicina. E sonharam coroar a angústia da espera com o júbilo e a satisfação no sorriso, sinalizadores de um triunfo muito bem conquistado.
Como estamos no Brasil, a fuzarca já começou pelo horário inscrito no convite e o horário real de inicio dos trabalhos, deixando muitos idosos com as costas e nadegas doloridas pelo reumatismo, na longa espera. A entrada dos formandos parecia com as fanfarronadas dos programas de calouros da televisão: cornetas, estouro de balões, gritos e uivos da galera e assovios selvagens, de quem entra num show de rock pesado. O momento carimbador da pouca vergonha, e da baixaria fenomenal, foi quando, ao anunciar o nome de um dos formandos, seus amigos levantaram uma enorme faixa para ser vista por todos os presentes. Na faixa o desenho, em tamanho gigante, do orgão sexual masculino. Um pênis tremulando e assombrando. Foi a maneira que estes pobres coitados, na falta de inteligência, imaginação e de respeito, encontraram para homenagear o futuro doutor. E esta faixa foi mantida em frenesi orgiástico durante toda a cerimonia, para entretenimento/constrangimento forçado dos pais, esposas, namoradas, noivas e crianças; sem direito à rubor e nem furor. Uma cena e uma perversão dignas das melhores revistas pornográficas. O pênis gigante fez a festa e o embalo para esta garotada que entra, doravante, em cena para servir a sociedade brasileira, como os seguidores de Hipócrates. E não houve, da parte organizadora da cerimonia e nem dos formandos, quem tivesse o topete de esconder a faixa da mediocridade, para minorar a vergonha e o desencanto dos que queriam ver uma solenidade bonita e inesquecível. A cerimônia deveria ser suspensa naquele momento. O que deveria ser uma excelente ocasião para se reafirmar os melhores valores da alma e do espírito, submergiu na lama de uma formatura sem luz, rasa e sem extase. Como a televisão fez falta para mostrar, ao vivo, como a insanidade da moçada corrompeu, aniquilou, mais uma formatura de universitários no Brasil !

RENZO SANSONI, médico, Uberlândia/MG